sábado, 6 de maio de 2023
domingo, 30 de abril de 2023
terça-feira, 18 de abril de 2023
O Ovni que Vimos
Eu vi: e antes que alguém conteste o que vou narrar, é bom que fiquem sabendo que, eu não estava só.
Ao contrário, eu estava bem acompanhado de mais três grandes companheiros, e por incrível que possa parecer, todos vimos e até discutimos a procedência daquela luz tão forte que é impossível descrever-lhe o grau de intensidade, partindo da premissa que, jamais havíamos visto alguma coisa com semelhante luminosidade aqui na terra.
Pelo menos no que diz respeito a minha pessoa,ao camarada Zeca e ao David.
Era exatamente cinco horas, (05 h) do dia dezessete de Junho, um domingo.Tínhamos terminado de despescar um igarapé na ilha do Arauaí, junto ao furo do Mutá, entre este e a ilha do São Pedro, quando de repente ouvimos um estalido que nos pareceu ter vindo do Céu.
Erguemos a cabeça a tempo de podermos contemplar um belo espetáculo pirotécnico... É que a centenas (ou milhares quem sabe?) de metros bem á nossa esquerda, numa altura mais ou menos de mil metros, acendia-se fortíssima luz de uma cor indescritível: pelo menos, para a minha ótica.
Acendeu com o foco dirigido diretamente para o centro da ilha... De onde estávamos, dava a impressão que aquela luz era um balão, pois desceu um pouco, parou, depois voltou a subir e quando parou pela segunda vez, começou a soltar chispas, assim como se estivesse queimando: entretanto sua luz, num facho fenomenal iluminava toda aquela região, desde a boca do rio Arienga até lá pelo rio Mari-Mari. De repente apagou.
Ai o David começou a inquirir a todos nós... Vocês viram? Será que alguém sabe responder que luz é aquela?
O camarada Zeca respondeu que aquilo só podia ser um foguete que alguém tinha soltado para anunciar alguma festa,hipótese que foi prontamente descartada por nós dois, haja vista que não houve nem zoada de tiro e também não houve nem uma zoada que se assemelhasse a um estouro de foguete.
O Albino ia dizer alguma coisa com relação àquela aparição quando aquilo acendeu: agora com uma intensidade duas vezes maior e dirigida diretamente para o centro da ilha do Pindauateua, porem, com tanta luminosidade que clareou todo aquele grupamento de ilhas, incluindo a ilha dos Periquitos e deixando ver perfeitamente a silhueta de todas as casas lá da vila de São Pedro9 localizada na ilha desse nome.
De onde estávamos, podemos observar que aquela luz de cor violeta-esbraseada, saia de um objeto que estava completamente parado a centenas de metros acima da mata, e assim permaneceu por mais de quatro minutos, despejando aquele foco violentíssimo de luz que, insisto em dizer, para mim, uma luz psicodélica, jamais vista em toda a minha existência.
Confesso que ficamos aparvalhados a contemplar aquela maravilha de luz que cintilava solitária naquela região, iluminando toda aquela área, desde a boca do furo dos Bragas, passando pelo baixo dos Macacos, Bahia do Santo Antonio, rio Arienga, furo das Marinhas, ilha do São Pedro e até lá por onde nós estávamos.
Olha: por mais que queiramos minimizar essa estória, não se pode admitir em hipótese alguma que, aquela luz seja produto de algum aparelho aqui da terra, tal a mutação das suas cores; pois de vermelho-arroxeado ele imediatamente muda para um tom laranja-púrpura, ou simplesmente fica completamente violeta, com uma luminosidade inenarrável.
Ficamos atônitos a contemplar aquela pirotecnia quando zás- a coisa apagou.
Ficamos a matutar: cara pra cima, a espera de nova aparição, porem esta não mais aconteceu; restou-nos então o comentário: que fenômeno viria a ser aquele objeto com um facho de luz tremendamente potente.
O camarada Zeca nessas alturas já havia mudado de opinião, ele que começou dizendo que aquilo era um foguete, agora afirmava peremptoriamente se tratar de um helicóptero, hipótese que foi logo descartada, haja vista que não se escutou zoada de motor, o que seria perfeitamente audível na distancia em que nos encontrávamos do objeto.
Também não podia ser uma sonda meteorológica por que, desde a primeira aparição o objeto permaneceu no mesmo lugar e até a hora que apagou não mudou de trajetória uma única vez; ademais, não se conhece sonda que tenha tamanha intensidade em sua luz.
Balão não podia ser, pois balão não fica parado indefinidamente sobre determinado lugar, sem que o vento o-leve para um lado ou para outro, o que não aconteceu com aquele objeto que, apenas deslocou-se por duas vezes na vertical, porem não pendeu absolutamente para lado nenhum e quando apagou sua luz, o fez de uma vez, não deixando nem sinal do que fora aquele extraordinário facho luminoso.
Para o Albino, aquilo não era novidade, pois segundo suas palavras, ele sempre via aquele negócio, vez por outra, quando estava fazendo suas pescarias.
A diferença na sua ótica só consistia no seguinte; é que , às vezes que ele viu a luz, esta mudava de azul para verde, de verde para vermelha e de vermelha para amarela, nunca porem chegou amostrar as cores que nós vimos...Isso “aliás” nos levou a imaginar que para cada período do ano o objeto trocava de jogo de luz, pois às vezes que o Albino viu a luz foi no período do inverno, já nós vimos em pleno verão.
De um modo ou de outro, ou seja; mude ou não mude de cor de acordo com o período do ano, acho que esse objeto precisa ser investigado pelas nossas autoridades competentes, haja vista que podemos estar sendo monitorados por componentes de outras civilizações, das quais nem ao menos sabemos a sua procedência, quanto mais, as suas intenções.
Por outro lado, cabe às nossas autoridades divulgarem algo sobre a vigilância aérea em nosso território, posto que, todos os brasileiros estão sabendo que a nação está gastando uma fortuna com equipamentos eletrônicos de alta precisão e de ultima geração, o que nos induz a pensar que temos o direito de saber para que servem esses tais equipamentos.
A não ser que, esse projeto Sivam esteja sonegando informações ao povo brasileiro que, em ultima analise tem o direito de saber, pois somos nós, os contribuintes que arcamos com o pagamento de tais equipamentos e que por conseguinte devemos saber tanto o que ocorre sobre nossas cabeças como aquilo que acontece sob nossos pés, uma vez que tais objetos não identificados são vistos ao mesmo tempo em diversas partes de nosso país e em outros com tecnologia mais avançada e que, mesmo assim esconde tais informações.
O que nos preocupa é sabermos que estamos sendo vigiados por alguém ou alguma coisa que não conhecemos, mas que,de uma hora para outra pode provocar um pânico generalizado, haja vista o que aconteceu com as torres gêmeas de Nova York, pois foi falado que alguns órgãos do governo foram alertados do que poderia acontecer, todavia não tomaram as devidas providencias no sentido de informar a população para que ficasse preparada para identificar os sintomas de um atentado em andamento, e dessa forma reagisse com mais rapidez para evacuar o Wolrd Trade Center. Nós pedimos a Deus para que essa falta de informação que hoje os povos de todo o mundo são vitimas não venha causar mais mal do que já provoca.
Será que a população mundial não está preparada para saber que existe vida em outras galáxias? Será que é justo um cidadão não saber que seu vizinho é um alienígena? Será que é correto apenas uns poucos saberem e não tornar público tais informações e decidirem o que a grande maioria pode ou não ter conhecimento? Afinal, somos ou não a única colônia inteligente do universo?
Souzapassarinho.
Santa Bárbara, Pará, 20 de junho de 01.
Ao contrário, eu estava bem acompanhado de mais três grandes companheiros, e por incrível que possa parecer, todos vimos e até discutimos a procedência daquela luz tão forte que é impossível descrever-lhe o grau de intensidade, partindo da premissa que, jamais havíamos visto alguma coisa com semelhante luminosidade aqui na terra.
Pelo menos no que diz respeito a minha pessoa,ao camarada Zeca e ao David.
Era exatamente cinco horas, (05 h) do dia dezessete de Junho, um domingo.Tínhamos terminado de despescar um igarapé na ilha do Arauaí, junto ao furo do Mutá, entre este e a ilha do São Pedro, quando de repente ouvimos um estalido que nos pareceu ter vindo do Céu.
Erguemos a cabeça a tempo de podermos contemplar um belo espetáculo pirotécnico... É que a centenas (ou milhares quem sabe?) de metros bem á nossa esquerda, numa altura mais ou menos de mil metros, acendia-se fortíssima luz de uma cor indescritível: pelo menos, para a minha ótica.
Acendeu com o foco dirigido diretamente para o centro da ilha... De onde estávamos, dava a impressão que aquela luz era um balão, pois desceu um pouco, parou, depois voltou a subir e quando parou pela segunda vez, começou a soltar chispas, assim como se estivesse queimando: entretanto sua luz, num facho fenomenal iluminava toda aquela região, desde a boca do rio Arienga até lá pelo rio Mari-Mari. De repente apagou.
Ai o David começou a inquirir a todos nós... Vocês viram? Será que alguém sabe responder que luz é aquela?
O camarada Zeca respondeu que aquilo só podia ser um foguete que alguém tinha soltado para anunciar alguma festa,hipótese que foi prontamente descartada por nós dois, haja vista que não houve nem zoada de tiro e também não houve nem uma zoada que se assemelhasse a um estouro de foguete.
O Albino ia dizer alguma coisa com relação àquela aparição quando aquilo acendeu: agora com uma intensidade duas vezes maior e dirigida diretamente para o centro da ilha do Pindauateua, porem, com tanta luminosidade que clareou todo aquele grupamento de ilhas, incluindo a ilha dos Periquitos e deixando ver perfeitamente a silhueta de todas as casas lá da vila de São Pedro9 localizada na ilha desse nome.
De onde estávamos, podemos observar que aquela luz de cor violeta-esbraseada, saia de um objeto que estava completamente parado a centenas de metros acima da mata, e assim permaneceu por mais de quatro minutos, despejando aquele foco violentíssimo de luz que, insisto em dizer, para mim, uma luz psicodélica, jamais vista em toda a minha existência.
Confesso que ficamos aparvalhados a contemplar aquela maravilha de luz que cintilava solitária naquela região, iluminando toda aquela área, desde a boca do furo dos Bragas, passando pelo baixo dos Macacos, Bahia do Santo Antonio, rio Arienga, furo das Marinhas, ilha do São Pedro e até lá por onde nós estávamos.
Olha: por mais que queiramos minimizar essa estória, não se pode admitir em hipótese alguma que, aquela luz seja produto de algum aparelho aqui da terra, tal a mutação das suas cores; pois de vermelho-arroxeado ele imediatamente muda para um tom laranja-púrpura, ou simplesmente fica completamente violeta, com uma luminosidade inenarrável.
Ficamos atônitos a contemplar aquela pirotecnia quando zás- a coisa apagou.
Ficamos a matutar: cara pra cima, a espera de nova aparição, porem esta não mais aconteceu; restou-nos então o comentário: que fenômeno viria a ser aquele objeto com um facho de luz tremendamente potente.
O camarada Zeca nessas alturas já havia mudado de opinião, ele que começou dizendo que aquilo era um foguete, agora afirmava peremptoriamente se tratar de um helicóptero, hipótese que foi logo descartada, haja vista que não se escutou zoada de motor, o que seria perfeitamente audível na distancia em que nos encontrávamos do objeto.
Também não podia ser uma sonda meteorológica por que, desde a primeira aparição o objeto permaneceu no mesmo lugar e até a hora que apagou não mudou de trajetória uma única vez; ademais, não se conhece sonda que tenha tamanha intensidade em sua luz.
Balão não podia ser, pois balão não fica parado indefinidamente sobre determinado lugar, sem que o vento o-leve para um lado ou para outro, o que não aconteceu com aquele objeto que, apenas deslocou-se por duas vezes na vertical, porem não pendeu absolutamente para lado nenhum e quando apagou sua luz, o fez de uma vez, não deixando nem sinal do que fora aquele extraordinário facho luminoso.
Para o Albino, aquilo não era novidade, pois segundo suas palavras, ele sempre via aquele negócio, vez por outra, quando estava fazendo suas pescarias.
A diferença na sua ótica só consistia no seguinte; é que , às vezes que ele viu a luz, esta mudava de azul para verde, de verde para vermelha e de vermelha para amarela, nunca porem chegou amostrar as cores que nós vimos...Isso “aliás” nos levou a imaginar que para cada período do ano o objeto trocava de jogo de luz, pois às vezes que o Albino viu a luz foi no período do inverno, já nós vimos em pleno verão.
De um modo ou de outro, ou seja; mude ou não mude de cor de acordo com o período do ano, acho que esse objeto precisa ser investigado pelas nossas autoridades competentes, haja vista que podemos estar sendo monitorados por componentes de outras civilizações, das quais nem ao menos sabemos a sua procedência, quanto mais, as suas intenções.
Por outro lado, cabe às nossas autoridades divulgarem algo sobre a vigilância aérea em nosso território, posto que, todos os brasileiros estão sabendo que a nação está gastando uma fortuna com equipamentos eletrônicos de alta precisão e de ultima geração, o que nos induz a pensar que temos o direito de saber para que servem esses tais equipamentos.
A não ser que, esse projeto Sivam esteja sonegando informações ao povo brasileiro que, em ultima analise tem o direito de saber, pois somos nós, os contribuintes que arcamos com o pagamento de tais equipamentos e que por conseguinte devemos saber tanto o que ocorre sobre nossas cabeças como aquilo que acontece sob nossos pés, uma vez que tais objetos não identificados são vistos ao mesmo tempo em diversas partes de nosso país e em outros com tecnologia mais avançada e que, mesmo assim esconde tais informações.
O que nos preocupa é sabermos que estamos sendo vigiados por alguém ou alguma coisa que não conhecemos, mas que,de uma hora para outra pode provocar um pânico generalizado, haja vista o que aconteceu com as torres gêmeas de Nova York, pois foi falado que alguns órgãos do governo foram alertados do que poderia acontecer, todavia não tomaram as devidas providencias no sentido de informar a população para que ficasse preparada para identificar os sintomas de um atentado em andamento, e dessa forma reagisse com mais rapidez para evacuar o Wolrd Trade Center. Nós pedimos a Deus para que essa falta de informação que hoje os povos de todo o mundo são vitimas não venha causar mais mal do que já provoca.
Será que a população mundial não está preparada para saber que existe vida em outras galáxias? Será que é justo um cidadão não saber que seu vizinho é um alienígena? Será que é correto apenas uns poucos saberem e não tornar público tais informações e decidirem o que a grande maioria pode ou não ter conhecimento? Afinal, somos ou não a única colônia inteligente do universo?
Souzapassarinho.
Santa Bárbara, Pará, 20 de junho de 01.
sábado, 4 de março de 2023
terça-feira, 28 de fevereiro de 2023
domingo, 11 de dezembro de 2022
domingo, 16 de outubro de 2022
O Pilho
O PILHO
A sua chegada foi uma festa extraordinária, pois apesar das conseqüências, sempre foi muito esperada, já que era a primeira prenda herdada de sua menina querida e cheia de dengos. Tudo estava pronto, desde o berçinho encostado à cama da avó, que logo ficaria com a primazia do tratamento da criança, matéria que era perfeccionsta, pois já havia demonstrado sua eficiência na criação de sete filhos.
Na verdade, há muito que ela já vinha tomando conta da criança, eis que acompanhava a mãe daquela nas visitas que fazia ao Médico, e em todos os exames solicitados por este sendo assim, já se sabia até o sexo do bebê. Começou a caducar, desde a hora que lhe disseram que o anjinho ocupante daquele berçinho na verdade era uma menina... Camisinhas e sapatinhos róseos, toucas e meias de lã, babadores e fraldas de cambraia cuidadosamente bordados com desenhos de bichinhos, tudo carinhosa e caprichosamente confeccionado por ela foi adicionado aos brinquedos que ia comprando em cada incursão que fazia ao comercio.
Bonecas de celulóide de todos os tamanhos, bichinhos de borracha, jogos de brinquedos plásticos em formato de utensílio de cozinha e, entre tantos bichinhos de pelúcia, sua avó incluiu um ursinho branco com os olhos bem amendoados puxando para o verde, orelhas curtas e nariz róseo.
Aos primeiros anúncios de que o bebê não tardaria a chegar, sua avó cuidou de arrumar os objetos necessários, chamou um Táxi e imediatamente levou a parturiente para a Clinica São Benedito.
O avô, dono de uma pequena madeireira localizada em outra cidade, só via a família de 15 em 15 dias, quando então tomava conhecimento dos fatos passados em casa durante esse período. Assim, ao chegar à residência, naquele fim de semana, teve a impressão que fora sumariamente abandonado, pois só encontrou mesmo a casa fechada e sequer um aviso dando conta de alguma novidade.
Sem saber o que realmente havia acontecido, começou a disparar telefonema para todos os lugares possíveis e imagináveis! Aquilo não poderia ser boa coisa, haja vista que sua querida esposa, jamais sairia do lar sem ao menos deixar um pequeno recado em forma de bilhete, o que sempre fazia prendendo-o ao bibelô de porcelana, trazido de Portugal, por um de seus antepassados, o qual demorava sobre pequena mesa de centro redonda e com o tampo de vidro.
Depois de inúmeras ligações para casa de parentes, amigos, conhecidos, sem obter nenhuma informação que lhe apontasse o destino da esposa e após relutar uns minutos, resolveu perguntar a uma vizinha, que sabia da vida de todo mundo, se ela poderia lhe informar algo sobre sua senhora, porque não conseguira notícia alguma através dos contatos que fizera, apesar de já haver contatado com todo mundo, incluindo aí o Pronto - Socorro e até a policia!
Na realidade, nem foi preciso perguntar absolutamente nada, pois à medida que se aproximava da casa, a vizinha disparou sua famosa metralhadora rotatória!
“Oi, vizinho! Boa – tarde! Faz um tempão que eu não lhe vejo! A propósito, a vizinha com sua filha, aquela que está esperando neném, saíram. Eu acho que elas foram para a maternidade, pois tomaram um Táxi que saiu cantando pneu e a vizinha levava consigo uma sacola, que parecia ir cheia de roupa! Vai ver que uma hora desta o senhor já é vovô não é? Eu imagino a felicidade da sua filha, tão bonitinha e tão novinha já com um bebê, pois é eu fico com uma inveja danada porque o meu marido nem pra isso presta”
Ela queria continuar regurgitando fofoca, todavia o homem agradeceu pela informação, pediu desculpas e voltou á casa para atender o telefone que estava tocando a um bom tempo... Correu para o aparelho, arrancou-lhe do gancho e falou com certa dose de melancolia na voz.
“Alô! A quem fala por gentileza?” Não precisou voltar a perguntar, pois do outro lado da linha a voz da sua esposa se fez ouvir nitidamente:
“Graças a Deus, meu velho! Ela chegou e é perfeita e linda como a mãe dela. Está tudo bem com as duas e comigo também. Não te preocupes, pois amanhã bem cedo estaremos aí, quando nos veremos a não ser que queiras vir nos apanhar.”
“Ta legal! respondeu o interlocutor. amanhã então conversaremos; vou descansar um pouco, porque estou estafado da lida diária!---tchau! Desligou” precisava realmente descansar depois de tantas aflições, era necessário repousar, por isso atirou-se na cama e dormiu profundamente. Acordou às 23 horas, com a algazarra dos seis filhos que chegaram da faculdade, sendo que juntos ainda passaram pela maternidade São Benedito, onde visitaram as três; mãe, irmã e sobrinha. Ao perceberem a presença do pai, todos se olharam e, também, acabou-se a papagueada; beijaram-lhe a mão respeitosamente enquanto uma das duas moças afagando-lhe a face transmitia ao mesmo tempo a mensagem da esposa, dispensando-o de apanhá-la na maternidade, pois este seria o encargo do filho mais velho.
De fato às nove horas, o rapaz apanhou as chaves da Belina, colocou-a em funcionamento e lá se foi buscar a mãe, a irmã e o bebê, que, ainda na maternidade, já colocara todo mundo em casa para trabalhar, incluindo aí o vovô, que, mesmo desajeitado tentava ajudar a organizar o quarto da netinha, e, como não manjava nada de coisa de criança simplesmente apanhou o ursinho e o pendurou sobre o berço, que ficava no centro do quarto.
Passava um pouco das dez horas, quando a Belina estacionou em frente à residência da família que acabara de receber o seu mais novo membro. O veiculo parou e dele saltaram, além da parturiente a avó que já trazia em seus braços uma menina tão linda que se assemelhava mais a uma boneca... Ao vê-la o avô se derreteu em lágrimas, não se sabendo até hoje se de felicidade ou de remorso por não haver concordado a princípio com a gestação de sua amada filhinha!
O certo é que a partir daquele dia o avô virou o maior fã daquela criança, e num esforço supremo viajava toda madrugada para supervisionar os trabalhos na madeireira, de onde retornava impreterivelmente ás vinte e uma horas, de segunda a sábado, o que acabou virando um ritual.
Passaram-se os meses e a menina foi crescendo cercada de carinhos e cuidados ao extremo. Seu quarto repleto de brinquedos de todos os tipos lhe ofereciam inúmeras opções: bonecas, panelas pratos, xícaras, conjunto de roupinhas, macaquinho de plásticos e inúmeros bichinhos de pelúcia, todavia devido ela ter tomado contato primeiramente com o ursinho branco dos olhos amendoados, que fora pendurado sobre seu berço pelo desajeitado avô; a criança simplesmente aferrou-se ao brinquedo a quem só largava quando estava dormindo e, assim mesmo ao acordar, tinha que vê-lo ao seu lado senão ela aprontava o maior barraco com todo mundo!
Quando começou a falar a primeira palavra que pronunciou com nitidez foi dirigida ao bichinho de pelúcia a quem carinhosamente colocou nos bracinhos, lhe afagando com a face e lhe chamando de Pilho! Até os três aninhos toda a sua atenção estava voltada para o Pilho, a quem dava banho, penteava e vez em quando lhe aplicava algumas palmadas certamente para ensinar-lhe o bom comportamento inexistente na mãe.
Assim, entre abraços, beijos e safanões misturados com ralhos e afagos viveram os dois: mãe e pilho durante três inseparáveis anos. Até que uma das tias, apaixonada por cachorros, lhe trouxe de presente de aniversário uma cadelinha da marca Poodle Toe, a qual chegou muito pequena, pesando se tanto quinhentos gramas, era linda e bem branquinha igual um capucho de algodão. Sua dona que já falava bem, lhe colocou o apelido de Yana e se não fosse pelo seu alarido dava muito bem para ser confundida com o pilho, porém à medida que crescia ia deixando toda gente da casa maluca, pois ninguém podia passar perto dela, eis que se enroscava na perna da pessoa, mordendo lhes os pés ou os calcanhares! Passava dia e noite nessa agonia e quando por ventura sua dona se descuidava, ela então se engalfinhava com o pilho, que a partir daí ia pagar o pato.
Esse apego da criança com o ursinho, demorou mais ou menos três anos e meses, pois com o crescimento da menina o brinquedo foi ficando em segundo plano, menos para a Yana, que vivia com ele as pedradas e só o soltava quando ia se enroscar à perna de alguém.
Quando completou quatro aninhos, a mãe da menina levou-a para morar consigo em outra cidade, ficando os avós apenas curtindo a saudade da ausência da netinha querida, a quem dedicaram boa parte das suas vidas. Também os outros filhos após ficarem todos adultos cada qual tomou o seu rumo e até a tia da menina levou consigo a Yana, ficando apenas os avós da menina querida e muito amada.
Certa ocasião, a senhora muito tristonha remexia os brinquedos no quarto da neta, quem sabe para matar a saudade, quando deparou com o pobre do pilho, que estava jogado por trás do pequeno guarda-roupa da netinha, completamente abandonado e imundo. Sua pelúcia branca agora parecia só uma fuligem de carvão. Tudo nele estava negro, inclusive o nariz, que tinha a cor de rosa. Sem dúvida alguma a avó chorou ao ver o pilho. Recolheu este que fora o brinquedo predileto da neta e colocou-o de molho em uma bacia, contendo água sanitária. Dentro de dois dias operou o milagre de recuperar o ursinho, que foi por muito tempo o companheiro de sua netinha formosa!
Hoje, vinte e três anos após a chegada daquela criança tão linda, que mais parecia uma boneca, os avós, já bastante idosos e solitários, para não morrerem de tédio e também para manterem viva a lembrança da neta querida, que por um desses caprichos da natureza acabou casando e indo morar do outro lado do mundo, caducam com o pilho, que está perfeitinho e agora até dorme de pijama no meio dos avós, que o tratam como se vivo estivesse; conversam com ele, que parece viver cheio de felicidade.
Todavia, essa felicidade pode não ser eterna, eis que os avós estão cientes que já tem um bisneto, com sete meses, o qual está de viagem para o Brasil; logo ao chegar a casa dos bisavós, com toda a certeza vai fazer como sua mãe, quando bebê, brincar,dar banho, morder, socar e finalmente defenestrar o pobre do pilho. É esperar para ver...
domingo, 2 de outubro de 2022
domingo, 25 de setembro de 2022
sexta-feira, 26 de agosto de 2022
domingo, 12 de abril de 2020
Gente.
Gente.
A situação
do mundo está realmente de ponta-cabeça. Na minha modesta opinião, (e vejam que
eu não tenho nem um curso Acadêmico e também não sou Profeta, sequer sou
adivinho) ao contrario, sou um senhor idoso, “Autodidata” e muito sofrido, porem
não sou um Asno e tenho como todo mundo um crânio que agasalha um cérebro que
me faz pensar.
Dito isto,
quero fazer um comentário que mais parece um “questionamento” aos políticos, aos
jornalistas e também aos Magistrados do meu País e quiçá do mundo, pois é
triste a gente ler, ver e ouvir falar da covardia que certos governadores, N-Deputado,
N-Senador, certos Togados, e, (porque não dizer. parte de nossa população)
enganada por uma mídia asquerosa estão fazendo contra o nosso Presidente.
Diga-se a
bem da verdade que, sou apolítico e nem Eleitor eu sou mais, pois quando minha
idade ainda permitia, minha integridade³ demonstrou inépcia¹e por esse motivo
renunciei a um mandato de vereador. No entanto sou brasileiro e cresci ouvindo
meu pai falar que o ser humano para ser feliz tinha que
procurar viver baseado nestes três pilares,(Deus,Pátria e Família)eis porque
estou a questionar os milhões de irmãos que possuímos em todo este Paraiso que
Deus nos concedeu. Porque não deixar o Presidente Jair Bolsonaro trabalhar em
paz, já que ele foi eleito democraticamente por enorme maioria de brasileiros
que já estava cansada de tanto desmando corrupção e roubalheira? Daí a justificativa
da minha pergunta: porque a Câmara de deputados e o Senado Federal que são
eleitos para elaborar Leis e zelar pelas Leis existentes na nossa Constituição,
em lugar disso vive a chafurdar no mais asqueroso lamaçal da corrupção,fazendo,
remendando, e introduzindo penduricalhos, “os chamados jabutis” para acabar de deformar aquela que foi chamada de Constituição
Cidadã a qual de cidadania já não tem quase nada,(o que nos faz acreditar que tais
penduricalhos sejam mais uma maneira de facilitar a partilha do Butim)...E
porque o nosso sistema Judiciário, cujo “carro chefe” é o Supremo Tribunal
Federal,composto por Onze Notáveis Cidadãos
de Elevada Sabedoria e Reputação Ilibada não vê, (ou finge que não vê
tais desmandos?) será que é porque esses juízes estão de olhos e ouvidos fechados para tais desmandos que, não
vêem e não ouvem os clamores das ruas suplicando
e clamando por justiça? Será que essas
pessoas que se acham acima do bem e do mal ignoram que a população não sabe que
eles são empregados do povo e que é com o imposto do nosso mirrado salário que pagamos
os seus ricos ordenados, seus famosos Convescotes alem dos 222 funcionários que
cada Magistrado tem? Será? E a Imprensa? Porque que não desempenha corretamente
o seu papel, que é procurar divulgar corretamente as noticia que obtêm “baseadas
nas informações verídicas”, sem viés ideológico, sem baixarias e respeitando as
regras que aprenderam em suas respectivas faculdades?Uma boa regra seria
observar que cada um cumprisse o seu papel. Que a verdadeira imprensa se atenha
a noticiar as coisas do nosso país, boas ou, ‘mas’ não importa. Porem que seja
noticia verdadeira, mesmo que esta seja a pior das noticias. O que importa é a
sua credibilidade. O Brasil é Laico e por conta disso aqui pode falar o Evangélico,
o Católico, o Espírita, o Judeu, o Agnóstico, o Ateu e porque não dizer, o Macumbeiro
e o Mananga!
Opinar e
perguntar não ofende!
Raimundo
Alves.
terça-feira, 5 de novembro de 2019
A SERRARIA FORTALEZA.
A SERRARIA FORTALEZA.
A Serraria Fortaleza foi fundada com a separação da sociedade dos Irmãos Salame, os quais eram proprietarios de um
grande Armazem, situado na desembocadura* do Rio Tracuateua,(um dos grandes
rios tributarios do Furo da Baía ou das Marinhas) aliado ao Rio Araci e tambem ao caudaloso Tauá,
ambos desaguando na Baía do Sol,onde passa o Rio Pará, na Baía do Guajará ou do Marajó conforme o
entendimento dos renomados historiadores. Esses três grandes rios, mais os rios
Sororoca, Benfica e Quarenta Horas, fazem parte de uma grande bifurcação do Rio Pará,que o povo em geral denomina de”
furo” ou seja, é um apêndice do Rio Pará que começa em Icoaraci, (antigo
Pinheiro) e se estende por toda a costa do continente, recebendo os nomes de
Furo do Maguari até a antiga vila de Maracacuera, de onde recebe a denominação
de Furo da Baia ou das Marinhas, seguindo até a Baia do Sol, lugar denominado
Fazenda onde volta a emendar-se ao Rio Pará.La no Rio Tracuateua** os três
irmãos de nacionalidade Libanesa, cujos nomes em Português eram pela ordem José,
Antonio e Miguel Salame respectivamente, construíram um grande Armazém de Secos
e Molhados e mercadoria em geral, para suprir as necessidades que sentiam os
moradores da região e circunvizinhança, bem como abastecer os pequenos
comerciantes das redondezas, já que antes de haver esse grande Armazém, o povo
daquelas plagas tinha muita dificuldade em adquirir viveres e material para
suprir as suas necessidades, já que os lugares mais próximos onde podiam fazer
suas compras eram em Santa Izabel, (antiga João Coelho) Benfica, Pinheiro ou
Mosqueiro.Construído o estabelecimento comercial, este recebeu o nome de
Armazém São Miguel, porém para o povo em geral era conhecido por Turquia, dando
entender que era uma alusão*** aos seus proprietários. Segundo o informante
esse episodio ocorreu lá pela quinta década do Século XIX e perdurou até alguns
meses após a abolição da Escravatura, quando os três irmãos dissolveram a
Sociedade, ficando o Armazém sob a responsabilidade do Sr. Miguel Elias que imediatamente
mandou buscar no Líbano um sobrinho para lhe ajudar no Comercio enquanto ele
fundava a Serraria Fortaleza a margem esquerda do igarapé Candeua, tributário
do Rio Tacuateua, em uma Area de terra arrendada por Francisco José Caldeira
que era seu proprietário.Em Candeua, o Sr. Miguel Elias construiu muitas casas
de Madeira para grande numero de empregados e construiu um enorme Chalé para
sua residência e família composta de Esposa D.Marina Salame e seus três filhos,
pela ordem, Minervina Miguel e Elias. Ergueu também uma Igreja, onde se venerava
uma bela imagem de São Miguel Arcanjo. Também em madeira de lei construiu uma
bela casa, onde funcionava a primeira escola daquela Vila Operaria que ficou
conhecida como Vila Operaria de Candeua, tendo como primeira professora a
senhora Maria das Bouções, que alfabetizou entre outras crianças da Época os
três filhos do casal Miguel e Marina Salame.
Pequeno
Glossario...................* Desembocadura=
Ponto em que um Rio deságua em outro
rio.
Tracuateua...............................**=
Tracuateua Nome indígena Tupi-Guarani=Formiga preta ou seja, Tracuá=Formiga
preta +teua=Rio.
Alusão.......................................=Referencia
vaga e indireta que se faz a alguma pessoa ou coisa.
terça-feira, 29 de outubro de 2019
Serraria Santa Rosa.
Ao que sabemos, tendo sido informado por pessoas que viveram à época, a Serraria e fabrica de Caixas Santa Rosa foi fundada pelo Sr. Francisco Coelho, não me sendo informada a data da sua fundação e nem tão pouco se sabe a nacionalidade de seu fundador. Sabemos, todavia que lá pelos idos de 1908 a1910ela fora vendida ao senhor José Paniágua, conhecido como Comandante Paniágua, de nacionalidade espanhola que empreendeu grande progresso a referida indústria, o que alavancou o desenvolvimento local, com construção de muitas Ca sas para seus empregados, uma Capela de onde veneravam Santa Rosa, e também uma Escola, onde as crianças aprendiam até a 3ª serie primaria, tendo como sua primeira professora a senhora conhecida como Professora Santinha. Segundo o informante, o Comandante Paniágua era uma pessoa muito humana, tratava todo mundo com urbanidade e ficava entristecido quando sabia de algum desenlace em qualquer família, fosse ou não pessoa de sua intimidade. Seu braço direito nos negócios era seu genro Sr. Luiz, a quem todos conheciam e chamavam Luiz Paniágua, cidadão super educado e grande amigo da população. Sua Esposa chamava-se Elba e era a filha única do casal José e Filomena Paniagua, conhecida na redondeza como Dona Filó. O casal, (Luiz e Elba) tinha dois filhos cujos nomes de batismo não eram conhecidos pelos informantes que apenas sabiam seus apelidos, sendo que chamavam ao mais velho, Bebê, enquanto o mais novo era chamado de Eldo. Então, na época do aprendizado os garotos foram para Belém e só voltavam á Santa Rosa nas férias ou em feriados prolongados, razão pela qual eram quase desconhecidos dos moradores das redondezas. Finalmente, durante a vida útil da Serraria e Fabrica de Caixas Santa Rosa, ela pertenceu a (04) quatro proprietários que foram os Senhores, pela ordem... Francisco Coelho, José Paniágua, Sr.Dr. Felix Guimarães e Sr. Adelino Mesquita, também proprietário da Serraria Guajará, em Belém do Pará.
domingo, 27 de outubro de 2019
A Escrava Luciana
SANTA BÁRBARA DO PARÁ/PA.
A ESCRAVA LUCIANA.
Segundo a 3ª geração dos herdeiros das terras de Santa Bárbara do Pará, chega ao Brasil, a escrava Luciana Silva ainda criança com 10 anos, vindo da África Guiné-Bissau, ex-colônia Portuguesa a menina era uma Linda escrava, e com o passar dos anos, ficava mais bela, e o seu Sr.Coronel Gomes, era apaixonado por ela, e os demais escravos também ficavam fascinado com tanta beleza. Mas eles nem se aproximavam da mesma, pois tinham medo de ir para o tronco, e pegar muitas chibatadas. O coronel Gomes, passou a viver maritalmente com a mesma, ela engravidou e teve uma Linda menina ao qual foi batizada com o nome de sua mãe, filha única do casal.
Século XIX após a abolição da escravatura no Brasil, denominada Lei Áurea (assinada em 13 de maio de 1888), O Coronel Gomes, adquiriu por compra uma sorte de terras de outro senhor chamado Francisco José Caldeira; terras estas que foram doadas, como forma de pagamento a sua ex-escrava e companheira. Sua filha Luciana, já casada e mãe de seis filhos cuidaram de procurar um lugar no terreno onde pudessem fazer sua morada, e assim subiram o rio Traquateua até encontrar o inicio da terra que era completamente desabitada. Entraram na mata e foram surpreendidos por violento temporal que, fez com que se abrigassem sob uma enorme arvore. Como eram católicos, fizeram uma promessa com Santa Bárbara, (padroeira dos relâmpagos e trovões) caso a tempestade passasse sem molestá-los, eles colocariam o nome da propriedade de “Sitio Santa Bárbara”. A chuva passou, a promessa foi cumprida e assim nasceu Santa Bárbara.Luciana Maria Gomes da Silva, teve seis filhos que se chamavam Felipe Santiago Gomes Silva, Hermenegildo Gomes, Heloi Gomes, Antonio Joaquim Gomes, Maria Izabel Gomes e Felícia Gomes da Silva respectivamente, ao darem inicio a construção da primeira casa do Sitio Santa Bárbara fizeram nova promessa, (ou seja) no dia que terminassem a construção o santo do dia seria o seu padroeiro. Assim que, a casa ficou pronta no dia vinte de janeiro. O ano seria 1890 ou 1891, não se sabendo com exatidão, pois não existem anotações a esse respeito... O que se sabe é que, a partir de então o São Sebastião passou a ser o padroeiro de Santa Bárbara.
COMO SANTA BÁRBARA CRESCEU.
De 1891 até 1930 todo o movimento de Santa Bárbara se resumia à casa grande onde residia a velha Luciana e seu filho mais velho, Felipe Santiago Gomes da Silva, acompanhado de esposa e filhos.
Os outros cinco filhos viviam cada um em seu sitio dentro das terras de Santa Bárbara, em lotes devidamente doados por sua mãe. Assim Santa Bárbara nasceu onde nos dias de hoje funciona uma Cerâmica de propriedade do Sr. Francisco Baia Filho, por sinal, um dos tataranetos da velha escrava Luciana.
Em 1929, os herdeiros e filhos de herdeiros, construíram a primeira igreja de São Sebastião e em1930 foi celebrada a primeira Missa em Santa Bárbara... Seu celebrante foi o Pároco da Vila de Mosqueiro, um padre alemão chamado Eurico que, alem de rezar a missa batizou a primeira turma de crianças, sendo uma das crianças a Sra.Maria Alves de Souza Baia ( Atualmente com 92 anos) da povoação de Santa Bárbara.
Sra.Maria Alves de Souza Baia
SR.Raimundo Alves de Souza
Pesquisador e Historiador do Município de Santa Bárbara do Pará.
http://nhapango.blogspot.com
sábado, 29 de setembro de 2018
sitio pau-amarelo a casinha onde nasci.
SITIO PAU-AMARELO A CASINHA ONDE NASCI: Amigo Gaudério. --Quanta alegria eu
sinto quando deparo com alguem que me é caro feito você. Imagine que você chegou
à casa do seu verdadeiro irmão. Imagine também que este Caluje* é uma bela
residência tal e qual a sua bonita Mansão... Pois bem, então se sinta à vontade
e tome assento em qualquer um desses tamboretes, e, por favor, não repare a
rudeza do seu acabamento, pois eles aqui representam a fina flor da movelaria
brasileira, e nem poderia ser diferente, já que, todos estes assentos são
fabricados com a madeira mais nobre existente na região amazônica, estando
equiparadas as madeiras mais famosas da movelaria nacional: Logo o Jacarandá, o
Acapu, o Angelim, o Jatobá, o Ipê, a Macacauba e até o caríssimo Mogno e o Pau
rosa, são todos sucedâneos do Pau-Amarelo, que também é conhecido como Pau de
Candeia e Pau Cetim. Não repare também se só tenho esse “velho catre**” onde
poderás passar a noite se assim quiseres, já que eu o - convidei para estares
hoje aqui, pois preciso contar-te a estória de como este teu menor amigo veio ao
Mundo. Segundo a minha mãe, eu nasci as duas horas do dia 06 de março de
1933,uma segunda feira, sob uma Choupana de Pau-a-pique que estava situada aqui
mesmo, neste local, e como testemunho só existe ainda esse velho esteio de
Acapu-Pixuna, madeira que a terra não consegue destruir.Esse igarapé aí a
frente, tem o apelido de Pitinga***, e este local tinha o apelido de Sitio
Pau-Amarelo, e era o penúltimo sitio habitado, distando do antepenúltimo “Sitio
Capitania” cerca de 900 metros, e distava do último, Sitio Livramento 500
metros; estando em relação ao Sitio São Brás***¹, meia légua de distância dentro
de extensa mataria. Meu pai falava que colocou o nome de Sitio Pau-Amarelo em
homenagem às centenárias e gigantescas arvores dessa madeira, que pertence à
família das Rutáceas, e para a Botânica conhecida como (Euxylophora Paraensis)
que tinha em grande quantidade nestas matas, em especial, no entorno do Sitio.
Minha mãe, segundo seu depoimento, engravidou doze vezes “incluindo dois
abortos” e, dos dez filhos que concebeu, dois nasceram sem auxílio de uma
Parteira, como são conhecidas as mulheres que auxiliam as Parturientes na hora
da chegada do Bebê. É que seus partos eram muito rápidos a partir da hora que
ela sentia dor! Assim eu fui um filho que nasci sem assistente: contava ela, que
meu pai era muito indolente, e ao ser solicitado para ir buscar a única parteira
da redondeza, que por sinal era sua irmã e morava no Sitio São Brás, distando
meia légua do Sitio Pau-Amarelo, ele primeiro perguntou se era para já, depois
levantou com toda morrinha eaté que preparasse uma Lamparina com a tocha bem
grande e apanhasse espingarda, terçado, chapéu, tabaqueira e tudo mais e
percorresse uma légua, (ida e volta) quando chegou com a parteira eu já estava
agasalhado em minha pequeníssima rede fabricada por ela mesma,(mamãe) em
primitivo Tear,e tecida com fibra de Guaxuma***²então, ao adentrar no quarto e
ficar inteirado que eu já havia chegado, ele caminhou até minha rede, levantou o
pano que cobria o meu corpinho, olhou para meu ínfimo rostinho e pasmo
pronunciou...essa porcaria lá que se cria, é tão pequenino que parece até um
passarinho. Daí a origem do apelido que carrego desde meu nascimento e que já
coliguei ao meu nome, pelo qual serei lembrado até mesmo depois de morto. Por
volta de 1937, após lutar tenazmente contra violento impaludismo, meus avós
vieram a falecer, o que forçou o retorno do meu pai para junto dos irmãos que,
com exceção do Capitão Severiano, (Capitania e Luiza Souza Vasconcelos,
Livramento) moravam juntos na casa paterna, ou seja, no sitio São Bras. Meu pai
então fez uma cabana a mais ou menos cem metros da casa grande e aí mudamos para
Santa Bárbara. Nessa cabana chamada casinha nós moramos apenas três anos e
mudamos para o lugar chamado Candeua, pois meu pai foi ser empregado de um
Libanês chamado Miguel Elias, proprietário de uma serraria que empregava os
homens da região, no entanto o salário era o mínimo do mínimo, insuficiente para
suprir uma família grande a exemplo da nossa e por isso os meus irmãos mais
velhos, Bernardino 15 e Manuel 13 anos respectivamente, passaram a trabalhar na
serraria a- fim de ajudar nas despesas caseiras enquanto eu ajudava meu pai na
mata, limpando estradas para que ele pudesse transportar as enormes toras de
madeira que tirava para a serraria, as quais eram conduzidas através de carros
de boi.Foi exatamente a partir dos sete anos que aprendi a fumar; é que meu pai
com o intuito de espantar os mosquitos que não dão trégua para ninguém na mata,
fazia cigarros de palha a fim de afugentá-los através da fumaça. Lembro que
nesse período andava dando muito impaludismo nas pessoas então a mamãe e eu
contraímos tal doença ficamos malíssimos a ponto de sermos transportados em
redes da casa que morávamos para o Barracão, (um casarão tipo vila aonde morava
um total de vinte famílias ) onde ficamos na casa da vovó Chiquinha Paraguaia,
uma velha benzedeira que cuidou de nós, pois nessas alturas nós estávamos só
pele e osso, completamente desnutridos e a febre nos castigando a ponto de
ficarmos completamente carecas, e o interessante desse episódio é que quando
meus cabelos renasceram já vieram ondulados eles que eram lisos tipo índio.
Quando me recuperei dessa doença fiquei morando com os Salame na casa grande.
Menos mal, pois foi aí que experimentei o meu primeiro par de sapatos e passei a
usá-los com freqüência já que eram sapatos velhos usados pelos dois meninos
filhos dos donos da casa, seus nomes Miguel e Elias Salame respectivamente. De
lá só sai aos treze anos quando fui para Belém morar e trabalhar com o meu
cunhado Duca Jurujaia na Serraria Nazaré, no fim da Rua dos Tamoios. Minha
função lá era trabalhar como regulador de uma máquina a vapor, a qual tocava a
serraria.Como esta não tinha mais a válvula regaladora de velocidade, era
necessário que uma pessoa fizesse esse trabalho; dessa maneira eu passei a ser o
regulador da máquina. Quando ainda estava no Candeua eu consegui fazer as duas
primeiras series primarias, todavia não recebi boletim de conclusão, pois
naquele tempo os professores dificilmente iam a Belém e, portanto, não levavam
nem relatório de aprovação de aluno; então em Belém continuei estudando a noite,
pois trabalhava o dia inteiro e às vezes ainda fazia hora extra para poder
mandar algum para a minha família. Minha professora em Belém chamava-se Perpetua
e era linda demais. Muito meiga e carinhosa ela gostava de passar a mão na
cabeça da gente quando estávamos com alguma dificuldade e por conta disso sempre
que podia eu fingia não saber a lição, somente para ter aquele afago já que fui
criado na pancada, no puxão de orelha e na esculhambação. Lá consegui aprender o
equivalente a terceira e quarta series, porem por ser escola particular não tive
direito a receber boletim escolar. Aos dezessete anos meu cunhado me alistou na
28ª CR (Circunscrição de Recrutamento do Exército) e cinco meses depois fui
convocado para o serviço militar. Aos primeiros dias de fevereiro de 1952 fui
selecionado ao lado de outros rapazes para servir como soldado na Base Aérea de
Belém, situada em Val-de-Cans. Meus primeiros dias de caserna foram terríveis,
pois as pessoas que não tem profissão definida ou que tem pouca escolaridade
como no meu caso, sofrem muita humilhação, são tratadas com rispidez pelos
superiores, os quais na sua grande maioria são soldados antigos ou cabos: no meu
caso, a primeira tarefa que recebi foi fazer limpeza nos vasos sanitários de um
prédio que em minha dedução era um W.C coletivo, pois era um sem número de vasos
sanitários muito sujos, por sinal, dando a nítida impressão que foi feito a
propósito! Na verdade, eu apenas reprisei aquilo que estava acostumado fazer
quando estava na residência dos Salame, haja vista que esse era o meu primeiro
café. Dessa maneira eu iniciei e encerrei a minha primeira semana de recruta;
que bom que esta vida é como uma grande escada na vertical onde você é apenas um
degrau colocado nela aleatoriamente, pois por mais humilde que você seja sempre
está acima de alguém; assim, no meu caso, eu troquei a faxina pelo gramado
porque enquanto muitos companheiros continuavam dando duro nos sanitários eu
jogava futebol, pois os homens descobriram que eu era bom de bola e por ai
começou a minha odisséia na Base Aérea de Belém. Após o período de recruta, ou
seja, após o primeiro trimestre de vida militar e já bastante familiarizado com
a nova situação nós fomos chamados para ver quem ficava na Companhia de Guarda,
(A Cobra) para fazer Infantaria; quem não quisesse teria que ser transferido
para a Companhia de Comando e Serviços e de lá poderia optar por outro destino.
Como eu já jogava bola pelo time do Parque, o Sargento Zacarias que era o
treinador do time pediu a minha transferência para a Companhia de Comando para
de lá eu ser efetivado no parque de manutenção, e enquanto isso eu fiquei
trabalhando na Esquadrilha de Adestramento onde passei a fazer limpeza em peças
de avião e enquanto aguardava uma definição do meu caso eu ia me entrosando com
o pessoal da Esquadrilha a ponto de desistir de ir para o Parque, então em
setembro de 1952 eu fui anexado ao Destacamento Especial de São Luiz do Maranhão
o qual naquele tempo fazia parte da 1ª Zona Aérea com sua sede em Belém. Em
setembro mesmo eu viajei em companhia de vários colegas para SãoLuiz já que
fomos substituir o contingente que estava lá cujo tempo de serviço já havia
esgotado. Assim viajamos dezessete soldados, dois cabos, cinco sargentos dois
taifeiros e um tenente; e viajamos todos no mesmo avião. Como eu já trabalhava
na Companhia de Comando fazendo pequenos serviços de ajudante de mecânico, ao
chegar a São Luiz, eu que fora transferido para tirar sentinela apenas fiz esse
serviço quatro ou cinco vezes se tanto chegou: é que fui logo classificado na
garagem e com quatro meses de destacamento eu já dirigia qualquer carro do nosso
efetivo; então tratei de estudar para tirar carteira de motorista e também
cuidei de fazer o Artigo 91 (antigo ginásio), pois tinha esperança de fazer o
curso de sargento especialista. Para isso comecei a treinar com os sargentos
Solonel, Cárdias, Sotomano e cabo Cerezo todos controladores de voo os quais me
ensinaram bastante sobre essa nobre arte que é controlar as aeronaves que
transitam diuturnamente no espaço aéreo brasileiro... De maneira que aprendi e
até trabalhei tirando serviço desses colegas quando estes tinham algo a fazer e
dentro desse trabalho cheguei a fazer ponte para aeronaves que não eram ouvidas
pelas torres de controle das cidades de destino e pediam informação e permissão
para pousar sem obter resposta: era aí que entrava a ajuda daquela estação que
estava na escuta, a qual imediatamente contatava a torre da cidade a qual o
avião estava chegando, e passava as informações para a aeronave. Em S.Luiz,
permaneci pelo período de dois anos, retornando a Belém, em fins de 1954, indo
diretamente para a garagem, já que fiquei lotado no quadro de motorista, ficando
exclusivamente como motorista do oficial de operações, trabalhando 24x48 horas,
ou seja, trabalhava um dia e folgava dois em casa Em Belém demorei apenas dois
meses, pois viajei para o Rio de Janeiro onde fui fazer um tratamento médico! É
que segundo o médico que me encaminhou, eu tinha algo na laringe que precisava
ser tratado, aí então viajei no Almirante Alexandrino, um belo navio que
pertencia ao Loid Brasileiro e que a época transportava passageiros em suas três
classes. Passamos 29 dias viajando e nesse período eu vivi os 26 dias mais,
“como dizer” mais humilhantes da minha vida de rapaz: é que fui obrigado pelas
circunstancias a me amigar com uma pessoa a quem a princípio julgava ser um
homem, desde o porto de São Luiz do Maranhão até o Rio de Janeiro... Calmo
amigo; a mulher não era eu. O negócio foi assim... Eu havia deixado em S. Luiz,
na pensão da D. Iolanda, situada no bairro do João Paulo, uma linda moça chamada
Celeste, que eu namorava desde que cheguei ao Maranhão. Como eu havia sido
transferido, também liberei a moça de qualquer compromisso pessoal, no entanto,
quando o navio ancorou em S. Luiz, os passageiros foram avisados que o mesmo
passaria três dias fundeado ao largo para carregar e descarregar manufaturados,
e quem quisesse, poderia saltar e só comparecer dali a três dias. Claro que para
mim caiu à sopa no mel, como diz o adágio! Então eu imediatamente fui ao
encontro da Celeste, pois tinha esperança que ela ainda se tornasse receptiva em
relação a mim. Ledo engano; a Celeste havia viajado logo após a minha partida,
pois segundo a D.Iolanda, ela jurou não deitar mais com homem nenhum naquela
pensão: é que segundo ela eu tinha sido o seu maior amigo, a quem ela jamais
trairia naquele lugar. Lógico que eu fiquei desapontado, porem como estava na
cidade, achei por bem ficar hospedado aqueles três dias na pensão, ao fim dos
quais retornei ao navio, porem ao chegar ao meu camarote encontrei a porta
arrombada e todos os meus pertences foram roubados, inclusive o dinheirinho que
levava para minha manutenção no Rio, e que estava bem escondido no fundo falso
da mala. Fiquei desesperado, fui ao comandante, fiz a maior zorra, porém não deu
em nada; conclusão eu fiquei numa de horror: fiquei apenas com a roupa do corpo
e sem uma triste moeda no bolso, pior que isso, ter que passar ainda quase um
mês sem ter ao menos uma cueca para trocar! Passei o primeiro dia no camarote
sem café e sem comer, pois estava completamente desorientado: e no segundo dia
também não quis tomar café e estava no bico de proa olhando as toninhas
(golfinhos) nadando junto ao navio, quando ouvi um vozeirão atrás de mim: era um
oficial negão enorme todo paramentado em uma farda de capitão que estava sentado
no cabeço da proa. Fiquei meio apavorado quando ele falou que estava sentido com
o que havia acontecido comigo, todavia estava disposto a me ajudar conquanto eu
também colaborasse com ele... Fiquei muito nervoso a ponto de querer fugir do
negão, porém este me acalmou dizendo que não era o que eu estava pensando
e-coisa-e-tal e-tal-e- coisa, e que o homem era eu, que por sinal nem homem ele
era pois estava vestido em um uniforme de capitão da marinha mercante brasileira
graças à colaboração que tivera de um oficial seu amigo ao qual conheceu em uma
viagem que fizera á Caiena, capital da Guiana Francesa onde ela possuía um
belíssimo hotel, e de onde havia fugido após insólita perseguição política que
sofrera. Para não ser presa fugiu para Belém e de lá para o Rio, quando recebeu
ajuda do referido oficial que lhe emprestou seu uniforme e ainda a escondeu em
seu camarote depois de acertar sua permanência entre a tripulação. Falou que
havia tomado conhecimento do que tinha ocorrido comigo, e por ter simpatizado
com a minha pessoa, por isso queria que eu colaborasse com ela até a nossa
chegada ao Rio de Janeiro onde ela pretendia ficar até resolver seu problema
diplomático, pois tencionava voltar para seu país o mais rapidamente possível!
Confesso que fiquei meio abobalhado e com certo asco da negona, todavia a minha
situação era caótica e não pude resistir quando ela falou que só queria que eu
a-possuísse e deixasse o resto com ela pois ela ia dar de volta tudo o que
tinham me roubado multiplicado por dois, e que era pegar ou largar: conclusão
peguei me dei bem e foi assim que cheguei zero- quilo no Rio de Janeiro e a
negona Mirela. (Assim era o seu nome) ainda foi me deixar de Táxi na Base Aérea
do Galeão. No Rio de Janeiro fui encaminhado a uma junta de saúde, pois conduzia
uma ordem de inspeção, haja vista que havia passado em concurso quando se
manifestou o problema em minha laringe, assim fiquei impedido de fazer o
primeiro semestre e fiquei a disposição da junta, porém, sem nenhum tratamento
específico e enquanto isso meus colegas de turma se adiantaram ao mesmo tempo em
que eu permanecia a disposição da junta medica que ao final de dois anos e após
exaustivos exames chegou à conclusão que eu e mais dois colegas que adoeceram lá
teríamos que ser reformados ex-oficio ao posto de terceiro sargento e promovidos
a segundo sargento não podendo prover os meios de subsistência, e, então em
setembro de 1957 eu retornei à Belém já na qualidade de reformado, vindo residir
em Santa Bárbara, minha terra natal onde acabei firmando namoro com a moça mais
bonita à época, ou seja, a garota que há três anos atrás tinha me deixado de
queixo caído com sua formosura de menina-moça que naquele tempo ela era. Assim,
no dia dez de maio de 1958 depois de inúmeras parlengas entre nossas famílias,
as quais eram antagônicas a nossa união, eu recebi com as bênçãos de meus pais e
com o consentimento embora a contragosto da família dela, a mão da minha querida
e para sempre amada esposa Delia, que para mim continua mais linda de que antes
e mais feliz de que nunca, até porque me deu com a graça de Deus sete filhos
maravilhosos, os quais, já estão me fazendocaducar com os netos que possuímos a
Delia e eu, e por sinal já somos até Bisa “ comodiz o nosso querido e amadoBiso
Takashi”. É tudo o que tem a dizer-te o seu amigo mais que Irmão Souza. Pequeno
Glossário: *.........…Caluje= Palhoça, Rancho. **..........Catre= Cama rústica e
desconfortável.***........Pitinga=Em Tupi-Guarani quer dizer Branco, Claro =
Cuia que nunca foi usada, Cuia Pitinga, Cuia-branca.***¹......Sitio São Braz-
Sitio em Santa Barbara que Pertenceu aos Meus Avós e Família, “pela ordem” João
Candido de Souza e Josefina Lopes de Souza e família, herança de Felícia Gomes
da Silva. ****²…Guaxuma=Planta da família das Malváceas, (Urena-Lobata, Malva)
Devaneio Soneto. Quando eu voltar: se eu voltar contente, Quero ver o lugar onde
nasci, E também os lugares que vivi, A minha vida como Adolescente! É que, na
minha vida insipiente, Nada guardei daquilo que aprendi, Por isso, hei de voltar
um dia aqui, E pedir escusas para a minha gente! Pretendo ver, como último
desejo, No Pau-Amarelo quero ter o ensejo, De perscrutar com meu raciocínio,
Para escutar quando meu pai dizia, Essa coisinha aí lá que se cria, É tão
pequeno como um Passarinho!!!
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
A MAURICIA NOS TEMPOS DO GABITO
Eram exatamente cinco horas e trinta minutos
(05.30) do dia primeiro de Maio de 1964, Sexta-Feira. Recordo-me como se fosse
hoje, Santa Bárbara amanhecia mergulhada em profunda ressaca, já que naquela
noite de 30 de abril os homens que trabalhavam na Serraria Fortaleza e que
moravam em Santa Bárbara, trabalharam das dezenove horas, quando a maré começou
a encher até às 03 horas e 30 minutos do dia do trabalho, justamente até o termino
da vazante: ocasião que acabaram de descarregar a muamba que chegou no terceiro
Barco advindo de Caine. Se por acaso tivessem demorado mais “digamos” 05
minutos a embarcação ficaria encalhada, eis que, quando a maré vaza o igarapé
fica sem nenhum calado, impossibilitando a navegação de qualquer embarcação,
mas como ainda restava um pouco de maré, o Iate saiu às duras penas, arrastando
o seu casco até ao estuário do velho Candeua...ele foi o último daquela noite a
descarregar bagulho! Dois Iates já haviam descarregado suas mercadorias que
variavam de Automóveis a Televisores, rádios, Fogão à Gás, Geladeiras, Motores
estacionários a Diesel, a Gasolina, elétricos e de Popa, Sandálias, Sapatos,
roupa Jeans e muito, mas muito WYSKI. La
em Santa Bárbara, eu, o Santa Rosa, o Jurivaldo e o João Ramos, também fazíamos
os nossos preparativos no Batelão do “compadre Chespa” que nos levaria até a
Mauricia. É que eu havia prometido fazer um pequeno reparo lá na casa do meu
sogro Gabriel, o nosso querido Gabito, para que nós, a Délia mais quatro filhos
e eu ficássemos bem agasalhados e não viessemos a causar algum desconforto aos
meus sogros. O interessante é que nós também estávamos curtindo o serão daquela
noite de trinta de Abril para primeiro de Maio, pois quando começava o
movimento lá no porto da Serraria, a gente tinha impressão que era no terreiro
de casa e aí ninguém dormia com a algazarra do pessoal a carregar contrabando.
Assim, duas da matina, nós começamos a carregar os bregueços que íamos levar:(
material de pintura, poucas tábuas de parede e algumas ripas para fazer o tal
conserto na parede e dar uma incrementada na pintura da casa). As 05 h, saímos
do porto da Olaria do compadre Chespa, “seu nome, Joaquim Felix Ribeiro tio e
digamos” pai de criação da D. Délia, e quando o batelão confrontou a boca do
Furo Grande, eis que avistamos as luzes de navegação do penúltimo Iate que saiu
do Candeua após haver terminado sua desova. Vinha trazendo uma serie de ondas
provocadas pelo deslocamento do Barco que era tocado por um potente Motor Alemão
marca Kiel com 250 HPs. Ao passar pelo nosso Batelão alguém lá do Iate gritou -- hei do boi...
Aí o Jurivaldo que era moleque que só respondeu---aonde tu já viste boi de pau
FDP, o barco sumiu e o batelão seguiu pulando atrás, e nós observando as luzes
de navegação do belo iate que se distanciava, com suas luzes de navegação
definhando a medida que ele fazia o contorno da ilha dos Periquitos...foi
definhando até sumir de
vez.—Continuamos a nossa viagem, João Ramos gingando, Santa Rosa fazendo café
em um fogão improvisado em uma lata de querosene, Jurivaldo contando piadas, eu
fumando e todos nós sorrindo. Confrontamos as pedras da boca do furo das
Barreiras exatamente as 06 horas da manhã do dia 1º de maio. Neste exato
momento emergia de dentro da água na Foz do caudaloso Tauá, um enorme disco avermelhado.
Era o rei dos reis, majestoso e impoluto saindo para cumprir o seu ciclo de
trabalho cá na terra. Era o Sol, o maior dos operários que Deus nos envia
diária e gratuitamente. Que beleza, pois para nossa felicidade nós viajávamos
diretamente ao seu encontro e graças ao senhor, nossa chegada coincidiu também
com a chegada dos seus primeiros raios. Maurícia acordava junto com a nossa
chegada, e como de costume, sua beleza matinal deixava os viandantes perplexos
com o aroma dos laranjais que floresciam em todas as residências que lá
existiam. Seus moradores também acordavam ouvindo o marulhar das ondas do Furo
da Baía, (ou das Marinhas) que vinham quebrar em praias de lama ou barrancos existentes
em sua orla, onde também se percebia a presença da Bela Flor* que balançava, como
que bailando ao som das ondas que quebravam preguiçosamente na prainha de lama
existente na ponte principal do Povoado; e a Tua Mana, (que parece que dormia) encalhada
no porto do seu dono Antônio Cardoso, após a dura labuta do dia anterior... Lá atrás,
ou seja, na boca do Juacaca, tínhamos visto muito bem agasalhada no porto do
seu Zacarias, amarrada em um varejão a
Tua Irmã que pertencia ao Poncinho. Na ribanceira
do porto do seu Gabito, existia uma velha Seringueira envergada sobre a pequena
praia existente em frente à residência. Tinha um galho, estendido como se fosse
um enorme braço aberto por baixo da arvore, onde se via uma corrente dobrada ao
meio com suas duas pontas segurando uma pequena tábua; aquilo era uma espécie
de trampolim que, tanto servia de balanço para as pessoas se atirarem na água
ao tomar banho, como servia para o seu
Gabito pendurar os grandes peixes que costumava pescar, ele que era conhecido
como o pescador de Filhotes da Mauricia, eis que frequentemente pescava enormes
Bagres, conhecidos por Filhotes ou Piraíbas ** e ao chegar com os peixões pendurava-os
no dito Trapézio para avaliar o seu peso,
medir seu tamanho para através destes
itens, classifica-lo por nome, (se filhote ou Piraíba) e também retalha-lo para
vender ou distribuir com os parentes. Diga-se a bem da verdade que, o seu
Gabito era um exímio pescador, (pescava Várias marcas de peixe, entre estes a
Dourada, a Piramutaba, o Cangatá, Bacu, e outras marcas de peixe, de água doce
e salgada) tapava igarapés e pescava camarão. Todavia, somente ele sabia o
ponto exato e também a qualidade da isca que atraía a Piraíba, assim como também
a maré que elas costumam navegar os grandes Rios, tributários da Bacia Amazônica
e dos Rios Tocantins e Araguaia, já que, segundo os renomados historiadores, a
Piraiba, a Pirarara e o Jaú são habitantes exclusivos da Bacia Amazônica e dos
rios Araguaia e Tocantins, por isso viajam incontáveis milhas pelos grandes
rios de água doce que sofrem influência de maré, a acompanhar os cardumes de
peixes menores que migram constantemente para os rios tributários dessas “bacias”
em busca de alimento e consequentemente viram alimento dos peixes maiores. Ora bolas, história de
pescador é o que não falta, assim os historiadores falam que os grandes peixes
dificilmente são pescados em qualquer maré e sim somente quando estas sofrem influência
da Lua, que por sua vez, causa um frenesi nos peixes, obrigando-os a deixar
suas tocas e navegar milhas e milhas, rio -acima rio- abaixo, em busca de alimento.
Logo o pescador que conhece estas nuances, sabe qual a fase da lua que influencia
a maré, a qual movimenta os cardumes, os quais trazem consigo os grandes peixes
predadores. Por outro lado, sabe-se por experiência que, tanto a Lua Cheia,
quanto a Minguante, são as duas fases mais adequadas para a pratica da pesca
com linha que contenha muitos anzóis, pelo fato das noites se tornarem mais
claras, o que faz com que os peixes saiam de suas tocas e se organizem em
grandes cardumes! Eis ai talvez o grande segredo do Sr. Gabito...saber exatamente
qual a fase da lua que trazia consigo esses peixões, lindos, enormes e
saborosos os quais ele costumava pescar um, e várias vezes, até dois Filhotes
ou Piraíbas no mesmo dia! Eis aí um pequeno retrospecto da perícia do Sr.
Gabito, ele que sem sombra de dúvida foi o maior pescador de Filhotes ou Piraíbas
do seu tempo: quanta saudade!!!
FIM
Glossário...
·
Bela Flor, Tua Mana e
Tua irmã era nomes atribuídos a três Canoas de Pesca pertencentes aos três
sobrinhos do Sr. Gabito, pela ordem=João Belo...Bela Flor, Antônio Cardoso=Tua
Mana e Poncinho= Tua Irmã, e lá na Bacabeira, na ilha das Barreiras tinha a Tua
Mãe, pertencente ao Sr Olinto Cordeiro, conhecido como velho Olintão.
**
Filhote ou Piraíba=Grande Bagre da família Brachiplatystoma Filamentosum,
habitante da Bacia Amazônica e dos Rios Araguaia-Tocantins. Quando adulta chega
a pesar 300 quilos e medir 2.8 metros. O Filhote pode medir até1.5 metros e
pesar até 90 quilos.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Saudade do Pau do Santo!!! meu castelinho o ouro do tauarié
Você precisava ver: a coisa era mais ou menos assim... A bandinha tocava de preferência uma dessas marchinhas que são executadas em retretas nos coretos em praça pública quando existe uma comemoração importante no lugar.
Especialmente nesse ano vieram dezoito músicos, entre estes, o Castanha, o Filipinho, o Santaninha, o Mimi-Barata o Agnelo e o Raimundo Tamanqueiro.
O Castanha, ex-hanseniano era um excelente maestro e tocava vários instrumentos, porem devido ter as mãos atrofiadas, vítima da doença, dava preferência à instrumentos de três teclas, e no momento tocava um Trompete.
O Filipinho, tocava um Sax – Tenor.
O Santaninha tocava um Trombone- de- Vara, enquanto o Mimi-Barata, sargento de milícia, tocava um Pistão com Surdina.
Agnelo no Banjo e Raimundo Tamanqueiro na Bateria manejavam esses instrumentos com a leveza e delicadeza dos melhores artistas...E todos esses fenomenais elementos eram comandados pela batuta inconfundível do Maestro Antonio Paulo, exímio tocador de clarineta
O arraial estava enfeitado de bandeirolas de papel de seda e ramagens de samambaia, amarrada firmemente em varões de madeira previamente fincados em redor da praça para servir de poste de iluminação, onde se via em cada poste, quatro lampiões de Querosene lindamente decorados com papel celofane.
Ligeiramente abaixo dos lampiões, via-se inúmeras qualidades de flores...Rosas, Jasmins, Bugaris, Generais,7 Orquídeas, Papoulas, enfim uma genéria enfeitava aquela praça que tinha sido toda ela decorada no capricho pelas moças do lugar.
No trapiche do vilarejo era bonito de se ver... Cascos, Canoas,Batelões e até Igaritês, às dezenas se agasalhavam lado alado, como que descansando de longas viagens que fizeram singrando os rios, servindo de transporte a centenas de romeiros ribeirinhos que vieram para o evento.
Na pracinha existiam duas gangorras, um escorrega e uma barcaça de madeira em formato de baleeira que pertencia ao acervo da irmandade e que permaneciam o tempo todo ocupado pela criançada que brincava sem parar.
A Igrejinha era muito bonitinha... Toda pintada com tabatinga, já que não se conhecia tinta industrial por estas plagas, mesmo assim o povo cuidava dela com muito carinho e nem poderia deixar de ser, pois naquele tempo todo mundo era adepto do catolicismo e diga-se a bem da verdade, nem se ouvia falar em protestantismo no lugar. Assim todas as pessoas que para ali convergiam, eram católicas e iam para tomar parte na festividade de qualquer maneira.
De hora em hora o mestre Ramos acendia uma girândola de foguetes adquiridos na cidade da Vigia, que davam uma ênfase especial à festividade durante os quinze dias de sua duração: sendo que, as seis, as doze e às dezoito horas o estouro de fogos era qualquer coisa de extraordinário, pois estouravam por vez nada mais nada menos que doze dúzias de fogos convencionais, intercalados por inúmeros foguetões que levavam bem longe a mensagem dessa festa.
Na Igrejinha, o repicar da sineta (uma roda de ferro adquirida na oficina do velho Saraiva) anunciava aos fieis que chegara a hora da ladainha: eram oito da noite, ai aquele povaréu todo se comprimia dentro da capelinha para contritos ouvirem o mestre Ramos, puxador oficial, dar inicio as belas orações que entoava acompanhado do velho Sergio, Antonio Casanova, tio Eugenio, Sabá-Bigode, Chico Moreira e Cassiano, prontamente respondidas pelas senhoras Chica Ramos, D.Deca, Augusta do João Rodrigues, D. Otávia, D.Lourdes, D. Carmelina, Izidia e Zita Gomes, Rosa e Maria Bahia, tia Teté, Amorzita e etc, estas todas acompanhadas por imenso coro de fieis que dava uma entonação muito linda à Ladainha.
Encerrada a reza, então chegava a vez do arraial, ai era bonito de se ver aquele povo todo num vai- e- vem constante. Rapazes e moças de mãos dadas passeando no largo ou fazendo juras de amor, assentados pelos bancos de madeira que guarneciam a pracinha.
No coreto central o mestre Antonio Paulo comandava o seu afamado Jazz com a costumeira animação de sempre, e entre os músicos existiam aqueles que gostavam duma boa pinga e então, meio calibrados, faziam o diabo com seus instrumentos tal a intimidade que tinham com os mesmos. Entretanto isso tinha uma finalidade: chamar a atenção das caboclinhas mais ingênuas, eis porque de vez em quando uma delas arranjava pra barriga.
Nas tavernas e botecos os caboclos se empapavam na cachaça e com isso davam sopa para que suas filhas escapassem para o mato. Isso geralmente acontecia quando começava o leilão apregoado pelo Albertino Barata, destro animador desse evento que, via de regra prendia a atenção de todo mundo ao anunciar a venda dos donativos ganhos pelo santo em sua peregrinação por inúmeros lugares; até mesmo fora do município. Era coisa que não acabava mais... Galinhas, patos, perus, ovos, frutas de todas as marcas, louças de porcelana e até de barro, anéis, pulseiras e cordões de ouro doados ao santo como forma de pagamento por graças e milagres conquistados... Brinquedos confeccionados em madeira e buriti: até um boi tinha sido doado por gente de posses, como forma de pagamento pelas messes alcançadas.
Claro que quem gostava mesmo desse movimento era a turma da bandalheira, pois enquanto os velhos estavam ocupados no leilão ou bebericando nas biroscas, a cabroeira estava fazendo o caqueado com a moçada por detrás das bananeiras... Menos mal, pois daqui a um ano o reverendo tinha porrada de moleques para batizar.
No dia dezenove completava catorze dias da festividade: nesse dia, ao ouvir o apito da lancha Santa Terezinha, todo mundo corria para o trapiche a fim de assistir a chegada do Vigário.
Era o velho padre Eurico, Pároco da vila de Mosqueiro que vinha todo ano para encabeçar a procissão, rezar a Santa Missa e batizar a molecada arranjada na festa do ano anterior, e também dar a comunhão para as beatas do vilarejo e seus arredores.
Ai ele permanecia na casa do Sr. Rezcalla Salame, o resto do dia e durante a noite e só na manhã do dia vinte é que comparecia ao vilarejo para o oficio religioso, em virtude de detestar a festa profana.
Tinha porem o velho padre alemão uma grande vantagem: batizava todo mundo sem distinção, bastava que para isso o candidato fosse pagão e comparecesse à capela. Com ele não tinha esse caso de só batizar quem é filho de casal, cujos padrinhos têm que fazer preparação prévia. Dava comunhão a todo mundo que quisesse comungar e no caso do candidato à comunhão ser do sexo feminino, ele nem queria saber se elas eram casadas, amigadas ou tico-tico no fubá, pois na sua ótica todo mundo era filho de Deus e até prova em contrário, quanto mais humilde e desprovido de felicidade, mais chance tinha o candidato para entrar no Céu.
Depois do batizado, benzia a agua e distribuía aos fieis e então, nesse momento aquelas pessoas que queriam a agua-benta, levavam as suas garrafinhas para que o padre as-enchessem; beijavam a mão do padre e recebiam suas bênçãos e seus conselhos.
Terminada a distribuição da agua, estava concluída a cerimônia religiosa daquele ano, então lá-se-ía o velho padre Eurico de volta à sua paróquia a bordo da Santa Terezinha.
Mas o bom da festa mesmo, era no sábado anterior ao dia vinte... Nesse dia toda a comunidade se reunia para fazer o levantamento do mastro, solenidade que o pessoal carinhosamente denominava o dia de levantar o Pau do Santo.
O negócio era o seguinte: lá pelo dia doze, os membros da diretoria atual iam para as matas e cortavam uma arvore com mais ou menos dez metros de comprimento: traziam-na para a casa de um dos membros da diretoria, aquele que estivesse mais perto do arraial; depois de descascada esta era toda enfeitada com frutos, flores e ramagem, especialmente de samambaia, (um arbusto muito bonito e abundante na região) e depois de ornamentada e amarrada uma bandeira com a imagem do Santo á sua ponta, esta ia solenemente aguardar o momento de ser enterrada.
Esse ritual era feito com grande pompa, pois os membros da diretoria, um número incontável de mordomos, iam até onde estava o mastro ricamente decorado, e, ao som do Jazz do maestro Antonio Paulo que, caprichava com os mais belos e maviosos dobrados e marchinhas da atualidade e também do seu repertorio, eles com o pau do santo às-costas dançavam freneticamente: dois passos à frente e um passo atrás até chegarem junto ao buraco que fora previamente cavado, e lá ficava o mastro enterrado até o final da festa que só acontecia no dia vinte a meia noite.
Ás dezessete horas do dia vinte, reunia-se a diretoria a fim de fazer a eleição para a troca de direção da festividade: nesse caso existia uma particularidade; as senhoras da terceira idade não podiam ser presidentes.
Logo depois de escolhidos os membros, lá se iam todos para o pé do mastro e começava aí um novo ritual: os membros da diretoria que ia sair começavam a cortar o pau... Cada membro tinha direito a dar um golpe de machado no mastro, porém de maneira desencontrada para que este suportasse os golpes de todos aqueles que quisessem cortá-lo. Ai também era dado oportunidade para os pagadores de promessa, pois cada golpe desferido representava o pagamento do milagre alcançado: essa regra valia para ambos os sexos e para todas as idades, e por isso era comum o camarada ver velhinhas de noventa anos querendo cortar o pau do santo. .
Quando não havia mais ninguém para cortar o mastro, ai então chegavam os dois presidentes: o que estava saindo dava uns dois golpes e passava o machado para o presidente que ia dirigir a festividade de São Sebastião pelo ano presente.
Este sim, desferia violentos golpes no mesmo lugar até que o mastro caía para gáudio da garotada que corriam para colher as bananas que, a essa altura já estavam bem amarelinhas.
Quanto ao resto das frutas que enfeitavam o pau do Santo, voltavam para o leiloeiro oficial e este oferecia tudo de uma só vez pelo maior lance alcançado.
Com este ato, ficava encerrado o compromisso da diretoria em si, porem a festa prosseguia até meia-noite por conta dos barraqueiros que faziam a venda no arraial durante a festividade.
Agora era só esperar que a diretoria atual, ou seja, a nova diretoria desse seqüência a essa bela demonstração de fé que o povo de Santa Bárbara devotava ao seu Padroeiro o glorioso São Sebastião.
FIM.
Passarinho escreveu.
Especialmente nesse ano vieram dezoito músicos, entre estes, o Castanha, o Filipinho, o Santaninha, o Mimi-Barata o Agnelo e o Raimundo Tamanqueiro.
O Castanha, ex-hanseniano era um excelente maestro e tocava vários instrumentos, porem devido ter as mãos atrofiadas, vítima da doença, dava preferência à instrumentos de três teclas, e no momento tocava um Trompete.
O Filipinho, tocava um Sax – Tenor.
O Santaninha tocava um Trombone- de- Vara, enquanto o Mimi-Barata, sargento de milícia, tocava um Pistão com Surdina.
Agnelo no Banjo e Raimundo Tamanqueiro na Bateria manejavam esses instrumentos com a leveza e delicadeza dos melhores artistas...E todos esses fenomenais elementos eram comandados pela batuta inconfundível do Maestro Antonio Paulo, exímio tocador de clarineta
O arraial estava enfeitado de bandeirolas de papel de seda e ramagens de samambaia, amarrada firmemente em varões de madeira previamente fincados em redor da praça para servir de poste de iluminação, onde se via em cada poste, quatro lampiões de Querosene lindamente decorados com papel celofane.
Ligeiramente abaixo dos lampiões, via-se inúmeras qualidades de flores...Rosas, Jasmins, Bugaris, Generais,7 Orquídeas, Papoulas, enfim uma genéria enfeitava aquela praça que tinha sido toda ela decorada no capricho pelas moças do lugar.
No trapiche do vilarejo era bonito de se ver... Cascos, Canoas,Batelões e até Igaritês, às dezenas se agasalhavam lado alado, como que descansando de longas viagens que fizeram singrando os rios, servindo de transporte a centenas de romeiros ribeirinhos que vieram para o evento.
Na pracinha existiam duas gangorras, um escorrega e uma barcaça de madeira em formato de baleeira que pertencia ao acervo da irmandade e que permaneciam o tempo todo ocupado pela criançada que brincava sem parar.
A Igrejinha era muito bonitinha... Toda pintada com tabatinga, já que não se conhecia tinta industrial por estas plagas, mesmo assim o povo cuidava dela com muito carinho e nem poderia deixar de ser, pois naquele tempo todo mundo era adepto do catolicismo e diga-se a bem da verdade, nem se ouvia falar em protestantismo no lugar. Assim todas as pessoas que para ali convergiam, eram católicas e iam para tomar parte na festividade de qualquer maneira.
De hora em hora o mestre Ramos acendia uma girândola de foguetes adquiridos na cidade da Vigia, que davam uma ênfase especial à festividade durante os quinze dias de sua duração: sendo que, as seis, as doze e às dezoito horas o estouro de fogos era qualquer coisa de extraordinário, pois estouravam por vez nada mais nada menos que doze dúzias de fogos convencionais, intercalados por inúmeros foguetões que levavam bem longe a mensagem dessa festa.
Na Igrejinha, o repicar da sineta (uma roda de ferro adquirida na oficina do velho Saraiva) anunciava aos fieis que chegara a hora da ladainha: eram oito da noite, ai aquele povaréu todo se comprimia dentro da capelinha para contritos ouvirem o mestre Ramos, puxador oficial, dar inicio as belas orações que entoava acompanhado do velho Sergio, Antonio Casanova, tio Eugenio, Sabá-Bigode, Chico Moreira e Cassiano, prontamente respondidas pelas senhoras Chica Ramos, D.Deca, Augusta do João Rodrigues, D. Otávia, D.Lourdes, D. Carmelina, Izidia e Zita Gomes, Rosa e Maria Bahia, tia Teté, Amorzita e etc, estas todas acompanhadas por imenso coro de fieis que dava uma entonação muito linda à Ladainha.
Encerrada a reza, então chegava a vez do arraial, ai era bonito de se ver aquele povo todo num vai- e- vem constante. Rapazes e moças de mãos dadas passeando no largo ou fazendo juras de amor, assentados pelos bancos de madeira que guarneciam a pracinha.
No coreto central o mestre Antonio Paulo comandava o seu afamado Jazz com a costumeira animação de sempre, e entre os músicos existiam aqueles que gostavam duma boa pinga e então, meio calibrados, faziam o diabo com seus instrumentos tal a intimidade que tinham com os mesmos. Entretanto isso tinha uma finalidade: chamar a atenção das caboclinhas mais ingênuas, eis porque de vez em quando uma delas arranjava pra barriga.
Nas tavernas e botecos os caboclos se empapavam na cachaça e com isso davam sopa para que suas filhas escapassem para o mato. Isso geralmente acontecia quando começava o leilão apregoado pelo Albertino Barata, destro animador desse evento que, via de regra prendia a atenção de todo mundo ao anunciar a venda dos donativos ganhos pelo santo em sua peregrinação por inúmeros lugares; até mesmo fora do município. Era coisa que não acabava mais... Galinhas, patos, perus, ovos, frutas de todas as marcas, louças de porcelana e até de barro, anéis, pulseiras e cordões de ouro doados ao santo como forma de pagamento por graças e milagres conquistados... Brinquedos confeccionados em madeira e buriti: até um boi tinha sido doado por gente de posses, como forma de pagamento pelas messes alcançadas.
Claro que quem gostava mesmo desse movimento era a turma da bandalheira, pois enquanto os velhos estavam ocupados no leilão ou bebericando nas biroscas, a cabroeira estava fazendo o caqueado com a moçada por detrás das bananeiras... Menos mal, pois daqui a um ano o reverendo tinha porrada de moleques para batizar.
No dia dezenove completava catorze dias da festividade: nesse dia, ao ouvir o apito da lancha Santa Terezinha, todo mundo corria para o trapiche a fim de assistir a chegada do Vigário.
Era o velho padre Eurico, Pároco da vila de Mosqueiro que vinha todo ano para encabeçar a procissão, rezar a Santa Missa e batizar a molecada arranjada na festa do ano anterior, e também dar a comunhão para as beatas do vilarejo e seus arredores.
Ai ele permanecia na casa do Sr. Rezcalla Salame, o resto do dia e durante a noite e só na manhã do dia vinte é que comparecia ao vilarejo para o oficio religioso, em virtude de detestar a festa profana.
Tinha porem o velho padre alemão uma grande vantagem: batizava todo mundo sem distinção, bastava que para isso o candidato fosse pagão e comparecesse à capela. Com ele não tinha esse caso de só batizar quem é filho de casal, cujos padrinhos têm que fazer preparação prévia. Dava comunhão a todo mundo que quisesse comungar e no caso do candidato à comunhão ser do sexo feminino, ele nem queria saber se elas eram casadas, amigadas ou tico-tico no fubá, pois na sua ótica todo mundo era filho de Deus e até prova em contrário, quanto mais humilde e desprovido de felicidade, mais chance tinha o candidato para entrar no Céu.
Depois do batizado, benzia a agua e distribuía aos fieis e então, nesse momento aquelas pessoas que queriam a agua-benta, levavam as suas garrafinhas para que o padre as-enchessem; beijavam a mão do padre e recebiam suas bênçãos e seus conselhos.
Terminada a distribuição da agua, estava concluída a cerimônia religiosa daquele ano, então lá-se-ía o velho padre Eurico de volta à sua paróquia a bordo da Santa Terezinha.
Mas o bom da festa mesmo, era no sábado anterior ao dia vinte... Nesse dia toda a comunidade se reunia para fazer o levantamento do mastro, solenidade que o pessoal carinhosamente denominava o dia de levantar o Pau do Santo.
O negócio era o seguinte: lá pelo dia doze, os membros da diretoria atual iam para as matas e cortavam uma arvore com mais ou menos dez metros de comprimento: traziam-na para a casa de um dos membros da diretoria, aquele que estivesse mais perto do arraial; depois de descascada esta era toda enfeitada com frutos, flores e ramagem, especialmente de samambaia, (um arbusto muito bonito e abundante na região) e depois de ornamentada e amarrada uma bandeira com a imagem do Santo á sua ponta, esta ia solenemente aguardar o momento de ser enterrada.
Esse ritual era feito com grande pompa, pois os membros da diretoria, um número incontável de mordomos, iam até onde estava o mastro ricamente decorado, e, ao som do Jazz do maestro Antonio Paulo que, caprichava com os mais belos e maviosos dobrados e marchinhas da atualidade e também do seu repertorio, eles com o pau do santo às-costas dançavam freneticamente: dois passos à frente e um passo atrás até chegarem junto ao buraco que fora previamente cavado, e lá ficava o mastro enterrado até o final da festa que só acontecia no dia vinte a meia noite.
Ás dezessete horas do dia vinte, reunia-se a diretoria a fim de fazer a eleição para a troca de direção da festividade: nesse caso existia uma particularidade; as senhoras da terceira idade não podiam ser presidentes.
Logo depois de escolhidos os membros, lá se iam todos para o pé do mastro e começava aí um novo ritual: os membros da diretoria que ia sair começavam a cortar o pau... Cada membro tinha direito a dar um golpe de machado no mastro, porém de maneira desencontrada para que este suportasse os golpes de todos aqueles que quisessem cortá-lo. Ai também era dado oportunidade para os pagadores de promessa, pois cada golpe desferido representava o pagamento do milagre alcançado: essa regra valia para ambos os sexos e para todas as idades, e por isso era comum o camarada ver velhinhas de noventa anos querendo cortar o pau do santo. .
Quando não havia mais ninguém para cortar o mastro, ai então chegavam os dois presidentes: o que estava saindo dava uns dois golpes e passava o machado para o presidente que ia dirigir a festividade de São Sebastião pelo ano presente.
Este sim, desferia violentos golpes no mesmo lugar até que o mastro caía para gáudio da garotada que corriam para colher as bananas que, a essa altura já estavam bem amarelinhas.
Quanto ao resto das frutas que enfeitavam o pau do Santo, voltavam para o leiloeiro oficial e este oferecia tudo de uma só vez pelo maior lance alcançado.
Com este ato, ficava encerrado o compromisso da diretoria em si, porem a festa prosseguia até meia-noite por conta dos barraqueiros que faziam a venda no arraial durante a festividade.
Agora era só esperar que a diretoria atual, ou seja, a nova diretoria desse seqüência a essa bela demonstração de fé que o povo de Santa Bárbara devotava ao seu Padroeiro o glorioso São Sebastião.
FIM.
Passarinho escreveu.
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